O governo, autoridades e imprensa todos meteram na cabeça uma resposta bonita e poética para responder isso: é tudo questão de saúde pública e social. Isso é uma forma bonita de dizer que não irá se fazer nada e ainda por cima ficar bem visto na foto com uma pessoa humanitária.
Na verdade o problema é simples de se resolver: deixar de penalizar apenas o traficante e penalizar também o consumidor e aglomerações que o protege. Construir presídios clínicos ou manicômios judiciários para se prender esses motores da delinquência , isso usando-se penas pequenas junto com tratamento e trabalho. Isso gasta dinheiro e exige esforço político, coisa que pelo visto, quase ninguém tem.
Então os nossos governantes ficam usando essa loa de que a cracolândia é um problema de saúde pública para deixar tudo genérico, tudo abstrato, tudo etéreo e enrolar.
Se a polícia e a GCM mete o cacete nesse povo que vive cagando, assaltando, colocando criança pra vender droga e tocar som alto na rua, todo mundo que vive de criar ONGs e que mora em prédios de classe média, vai logo socorrer os traficantes e craqueiros para que a cracolândia fique delimitada apenas ao centro podre de São Paulo, com isso deixando a vida dos ONGueiros profissionais mais segura na porta das suas casas.
O governo para fazer de conta que está fazendo alguma coisa, coloca uns 11 policiais da PM mais uns guardas da GCM por algumas horas em locais como avenida Rio Branco e Duque de Caxias, aí, depois à noite, eles evaporam e a guangue do lixo volta muito mais forte permeada por gritos, pessoas revirando lixo, cães, crianças, moradores de rua e craqueiros, transformando o lugar num show de gente falando gírias, obscenidades e brigando até o dia seguinte.
Entre as aglomerações craqueiras nem todos são craqueiros: tem os aliciadores que vendem crack, os líderes que comandam para onde as aglomerações vão, alguns ex presidiários disfarçados de carroceiros, cachorros e até mesmo responsáveis pela ambientação sonora do evento, esses últimos carregam caixas de som enormes para ficar tocando funk e ajudando a clientela saber onde esses energúmenos estão.
Mesmo assim, setores da sociedade teimam em ver essas pessoas como coitadas como se toda pessoa numa aglomeração de craqueiros fosse santa e estivesse ali contra a sua própria vontade. Essas pessoas juntas têm um poder enorme de acabar com comércios e consequentemente com empregos, elas causam acidentes ao roubarem fios de faróis e eletricidade de residenciais, elas disseminam doenças ao abrirem lixo e trazem lixo para lixões que são criados onde elas vivem.
As cracolândias não se acabam porque ninguém quer construir presídios especiais para viciados, ninguém quer prender ninguém para não aumentar os índices de violências, as autoridades querem tratar roubo, uso de mão de obra infantil, sujeira, baderna, terrorismo, arrastão e muito mais como "PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA".
Outro erro que ajuda na vida longa da cracolândia é disseminar a ideia de que todo morador de rua é um craqueiro, para com isso, a opinião pública ser induzida a pensar que os policiais estão maltratando pobres moradores de rua. Sim, tem muitos moradores de rua que fazem apenas aglomeração em torno da cracolândia para ganharem uns trocos ou se sentirem "em casa", eles nem usam crack mas ficam no meio ajudando o tráfico, ou seja, não são tão inocentes como querem aparentar.

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